Inteligência artificial divide especialistas sobre risco de nova crise financeira

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A participação da inteligência artificial nas decisões econômicas gera divergências sobre o futuro da estabilidade global. Especialistas discutem se a tecnologia servirá como um escudo para detectar problemas ou se será o gatilho para uma crise financeira acelerada.

O professor André Filipe Batista aponta três fatores de risco principais nessa nova era: a velocidade, a opacidade dos modelos e a conexão entre os algoritmos. A automação permite que o mercado reaja muito rápido e transforme um alerta em pânico generalizado. “O mercado financeiro já é rápido por natureza. Com a IA tomando decisões automatizadas, a transição de uma preocupação para um estado de pânico pode acontecer em segundos.”

Outro ponto crítico é a tendência de fundos diferentes usarem modelos parecidos e treinados com as mesmas bases de dados. Isso pode fazer com que todos tentem vender ativos ao mesmo tempo diante de um sinal negativo. Batista alerta para esse comportamento de manada. “Assim, a crise disparada pela IA seria uma crise informacional.”

Bolha financeira e desinformação

A circulação de notícias falsas e deepfakes agrava o cenário ao influenciar investidores e sistemas automáticos em poucos minutos. Ticiana Amorim destaca ainda a possibilidade de uma bolha no próprio setor de tecnologia. “Existe hoje uma hipervalorização de empresas de IA semelhante ao que vimos na bolha das pontocom. Investe-se bilhões em data centers e infraestrutura sem que ainda se conheça claramente a margem de lucro real dessas operações.”

A executiva reforça que tratar as respostas da IA como verdade absoluta é um erro perigoso no mercado financeiro. Os modelos se baseiam no passado e podem falhar ao prever eventos inéditos e extremos.

Tecnologia como aliada na prevenção

Uma visão mais otimista enxerga a capacidade de processamento como uma vantagem para antecipar cenários ruins. Ivo Mósca defende que a ferramenta permite identificar sinais de alerta antes que o problema cresça. “Antes, um pesquisador levava meses para testar uma hipótese. Hoje, é possível simular milhares de cenários em minutos.”

O consenso entre os profissionais é que a supervisão humana continua indispensável para evitar colapsos. O risco maior reside na falta de governança e no excesso de confiança na automação sem controle.

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