Corrida por energia limpa e constante
Grandes nomes da tecnologia como Amazon, Google e Microsoft começaram a investir pesado nos Pequenos Reatores Modulares (SMRs). A movimentação busca garantir o fornecimento de energia para data centers que consomem muita eletricidade, impulsionados pelo crescimento da computação em nuvem e da inteligência artificial. A tecnologia nuclear aparece como uma solução que funciona 24 horas por dia sem emitir carbono.
Esses reatores se diferenciam por serem pré-fabricados e montados diretamente no local de uso. Eles entregam até 300 megawatts (MW) de potência e ocupam um espaço físico muito menor, com dimensões inferiores a 10% de uma usina nuclear tradicional.
Investimentos bilionários da Amazon
A Amazon divulgou um plano de US$ 52 bilhões para expandir seus data centers em três estados americanos. Parte desse esforço inclui um acordo com a Dominion Energy para desenvolver SMRs na Virgínia. A meta da companhia é viabilizar mais de 5 gigawatts (GW) em projetos de energia até 2039, quantidade suficiente para abastecer uma cidade de porte médio.
O CEO da Amazon Web Services (AWS), Matt Garman, destacou a importância dessa fonte para os planos de sustentabilidade. “A energia nuclear terá papel central na expansão da empresa.” Ele também reforçou que a tecnologia ajuda a atingir a meta de emissões líquidas zero até 2040.
Segurança e reativação de usinas
Microsoft e Google também entraram na disputa para assegurar energia contínua. Matt Garman defende que os novos reatores modulares são mais seguros que as usinas antigas das décadas de 1950 e 1960. O último acidente nuclear nos Estados Unidos aconteceu em 1979, em Three Mile Island.
Curiosamente, um dos reatores dessa mesma usina de Three Mile Island será reativado para atender exclusivamente aos data centers da Microsoft. A operação conta com o apoio de um empréstimo de US$ 1 bilhão concedido pelo governo americano.
Apoio governamental e aumento da demanda
O Departamento de Energia dos EUA anunciou subsídios de US$ 900 milhões para incentivar a construção de reatores entre 50 e 350 MW. A expectativa é que a capacidade nuclear do país triplique até 2050, saltando de 100 GW para 300 GW, para cumprir metas de descarbonização.
O mercado prevê um salto gigantesco no consumo elétrico:
- Goldman Sachs: Estima que a demanda dos data centers suba 160% por causa da IA.
- Agência Internacional de Energia: Prevê que o consumo anual do setor dobre até 2030, chegando a 945 terawatts (TW) por hora.
Apesar de não gerar gases de efeito estufa na operação, a energia nuclear ainda exige soluções de longo prazo para lidar com o lixo radioativo gerado.

