Ameaças exigem mudança de postura em feiras e congressos
Ameaças cibernéticas passaram a representar um risco direto para a estabilidade econômica e a segurança individual. Um relatório de 2025 da Microsoft aponta o crescimento da atuação de cibermercenários, empresas privadas que comercializam ferramentas e serviços digitais criados especificamente para fins maliciosos.
O alerta vale também para a organização de grandes encontros presenciais, como congressos internacionais, feiras corporativas e fóruns diplomáticos. José de Souza Junior, diretor do Grupo RG Eventos e pesquisador da Universidade de Brasília (UnB), avalia que o setor movimenta informações críticas que vão além da simples logística.
“Dados pessoais, credenciais de acesso, estratégias de negociação, comunicações internas e até informações de segurança de chefes de Estado circulam diariamente nos sistemas que sustentam esses eventos. Ainda assim, a cibersegurança continua sendo tratada, na prática, como um custo dispensável”.
A negligência muitas vezes ocorre porque gestores enxergam a proteção de dados apenas como uma despesa a ser cortada. Essa visão ignora a dependência atual de sistemas parametrizados e inteligência artificial para que tudo funcione.
“O que acontece em eventos, na prática, é que a cibersegurança não é vista como algo importante. Por quê? Porque é custo. E quando você tem uma limitação de recursos, os gestores não querem colocar”.
Comparação com infraestrutura básica
Para ilustrar o problema, o especialista compara a segurança digital com serviços essenciais que só são valorizados quando falham. A percepção de importância muda drasticamente após um incidente expor informações críticas.
“Nem todo mundo vê a questão da água e do esgoto como algo importante. Mas se o esgoto transbordar ou se ficar sem água, aí todos vão achar importante”.
Em eventos de grande porte, como a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP), os riscos envolvem desde o vazamento de agendas de chefes de Estado até o comprometimento de negociações entre países. A organização da COP30, por exemplo, lidou com dados sensíveis de delegações inteiras.
“Ataques de ransomware, espionagem digital e vazamento de dados são algumas das ameaças mais recorrentes nesse contexto. Apesar disso, a segurança digital ainda costuma ser incluída no orçamento apenas de forma reativa, quando exigida por contratos ou após incidentes anteriores”.
Leis de proteção e novas tecnologias
A gestão desses dados precisa seguir regras rigorosas, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no Brasil. O prejuízo financeiro de uma falha pode ser gigantesco, somando custos técnicos, multas e danos à reputação dos organizadores.
“Um levantamento da IBM Security mostra que o custo médio de uma violação de dados chega a US$ 4,4 milhões [R$ 23,6 milhões, na cotação atual], considerando gastos com resposta ao incidente, sanções legais e danos reputacionais. Em eventos internacionais, esse impacto é potencializado pela exposição global”.
O uso crescente de tecnologias como reconhecimento facial e aplicativos de networking aumenta a eficiência, mas também amplia as portas de entrada para ataques. A segurança deve ser integrada desde o início do planejamento tecnológico.
“Quando você começa a trabalhar com inteligência artificial e grandes volumes de dados, a segurança deixa de ser um detalhe técnico e passa a ser um requisito essencial da tecnologia”.
A solução passa por tratar a ciberseguranças como infraestrutura essencial, no mesmo nível da energia elétrica e da internet. Isso envolve treinamento de equipes e protocolos claros de resposta a incidentes.
“Temos trabalhado para implementar regras de segurança diante desse mundo digital, para que isso se torne uma referência e, a longo prazo, um requisito básico”.
Para mais informações sobre o tema, acesse o site do Grupo RG Eventos.

