Cenário de segurança prevê uso duplo da tecnologia
A inteligência artificial será a protagonista da segurança digital em 2026, atuando tanto como ferramenta de proteção quanto como arma de ataque. O cenário traçado por especialistas indica uma evolução onde equipes de defesa usam a tecnologia para detectar intrusões, enquanto criminosos aproveitam a automação para aprimorar o reconhecimento de alvos e a coleta de dados.
O maior receio da comunidade técnica envolve a capacidade de descoberta automática de vulnerabilidades por agentes maliciosos. Karolis Arbaciauskas, diretor de produto da NordPass, alerta para essa mudança no comportamento das ameaças. “Os agentes atacantes podem, em breve, utilizar a IA para analisar redes e aplicações em busca de falhas de forma totalmente automatizada”.
Fornecedores na mira e falhas humanas
Invasores mudaram o foco para fornecedores externos, já que grandes organizações fortaleceram suas barreiras diretas. Entrar em uma empresa por meio de um parceiro comercial se tornou uma estratégia eficaz, o que exige rigor contratual e certificações como ISO 27001 e testes regulares de penetração antes de fechar qualquer negócio.
Velhos hábitos dos usuários continuam sendo a principal porta de entrada para ataques, apesar de todo o avanço tecnológico disponível no mercado. A reutilização de senhas e a falta de autenticação em duas etapas persistem como problemas graves, com um dado alarmante apontando que cerca de 40% dos trabalhadores admitem usar credenciais de antigos empregadores mesmo após deixarem a empresa.
Esse comportamento de risco facilita ameaças complexas, como a infiltração de agentes ligados a governos estrangeiros em empresas ocidentais. O cenário exige investimento redobrado em sistemas que monitoram acessos privilegiados para evitar vazamentos críticos.
Adoção lenta das chaves de acesso
A substituição das senhas tradicionais pelas chaves de acesso (passkeys) caminha a passos mais lentos do que o previsto pela indústria. Mesmo com a adoção por gigantes como Apple, Google e Microsoft, as palavras-passe continuarão sendo a primeira linha de defesa por alguns anos devido a barreiras práticas:
- Baixa compreensão dos consumidores sobre como a nova tecnologia funciona;
- Dificuldades nos processos de recuperação de conta;
- Falta de funcionamento integrado entre diferentes plataformas.
A pressão regulatória na União Europeia também marcará o ano de 2026 com a implementação de diretivas que forçam maior investimento em segurança. Medidas como a NIS2 trazem desafios financeiros e logísticos para os diretores da área, mas têm o objetivo de criar um ambiente digital mais resistente contra as ameaças que virão.

