Rede social cearense inspirada no Orkut chega a 4 milhões de contas

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Plataforma limita novos cadastros para controlar crescimento e recebe apoio do Google

A rede social Poosting, criada no Ceará, atingiu a marca de 4 milhões de contas cadastradas com uma proposta que mistura nostalgia e crítica ao modelo atual das big techs. A plataforma resgata as antigas comunidades, famosas na época do Orkut, e aposta em um feed cronológico. Nesse modelo, as publicações aparecem pela ordem de postagem, sem a interferência de algoritmos que decidem o que o usuário deve ver.

O foco da rede é entregar conteúdo de forma massiva e igualitária, sem privilegiar perfis famosos. Afonso, diretor da agência responsável e criador da Poosting, atua no mercado digital há 11 anos e desenvolveu o projeto para preencher lacunas deixadas pelas redes atuais.

Ele destaca a diferença na distribuição das postagens. “Não temos algoritmo de influenciador, e assim o feed está ao alcance todo mundo. Não tem como entregar mais conteúdo de a ou b.”

A ausência de filtros automatizados busca combater a polarização política e social, intensificada, segundo o fundador, a partir de 2008. A rede oferece a opção de uma página inicial composta apenas por postagens de amigos, devolvendo ao usuário o controle sobre o que consome.

Afonso avalia os efeitos da curadoria algorítmica na sociedade. “Na minha opinião, isso foi quem criou essa bipolarização no país por conta da massificação do conteúdo: a pessoa vê apenas coisas de um lado, acha que é a pura verdade e entra o extremismo.”

Infraestrutura e investimento

O crescimento acelerado exigiu suporte técnico robusto. Em março de 2025, a empresa entrou para o programa Google for Startups Cloudcom. O acordo garantiu R$ 1,5 milhão em créditos para serviços de computação em nuvem, além de ferramentas de inteligência artificial. Os dados ficam armazenados em data centers na Califórnia, pois a estrutura local não suportava o tráfego estimado em 60 GB por segundo.

A equipe precisou realizar ajustes técnicos com a plataforma em pleno funcionamento. “A gente não estava preparado, a rede viralizou e tivemos de consertar o foguete quando estava no ar.”

Para manter a estabilidade e evitar a formação de bolhas, a Poosting limitou os novos cadastros. Atualmente, só é possível criar uma conta através de convites enviados por quem já está na rede.

Com um investimento inicial próprio de cerca de R$ 1 milhão, a empresa estima seu valor de mercado em R$ 100 milhões e já analisa propostas de aquisição parcial para sustentar a operação.

O fundador comenta a necessidade de capital externo. “Estamos analisando as propostas porque, para sobreviver, temos de vender ao menos uma parte. O custo e os investimentos são muito altos para a gente aguentar.”

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Jornalista, Redator, Editor e Social Mídia. Com experiência na administração de redes sociais, Designer Gráfico, elaboração e gerenciamento de sites CMS com especialização em WordPress e Web Service. SEO (Otimização de motores de busca). Mais de 10 anos de experiência com integração em Comunicação e Marketing