Lançamento polêmico para o carnaval
A Baly Energy Drink anunciou uma edição limitada de energético chamada “sabor tadala” prevista para o Carnaval de 2026. O produto traz o slogan “O Baly que te leva pra cima” e, mesmo sem conter o fármaco na fórmula, provocou reações imediatas de especialistas em saúde por associar a bebida ao medicamento usado para disfunção erétil.
O Conselho Federal de Farmácia (CFF) emitiu nota criticando a estratégia de marketing adotada pela empresa. “Medicamento não é produto de entretenimento, não é acessório de festa e não deve ser tratado como brincadeira, nem mesmo no Carnaval”. A entidade avalia que a publicidade pode reforçar a banalização do uso da substância, principalmente entre o público mais jovem.
Impacto no comportamento jovem
Para o urologista Alex Meller, do Hospital Vila Nova Star, a divulgação recreativa do nome do remédio é problemática e se soma à exposição constante em músicas e redes sociais. “O energético acaba sendo apenas mais um componente nessa história”. Ele reforça que a mensagem implícita sugere o uso desnecessário ou sem prescrição médica.
A ideia de que a tadalafila melhora o desempenho físico ou sexual de qualquer pessoa é considerada equivocada pelo urologista Ricardo Ferro, do Hospital Brasília. Não existe evidência científica de ganho de força ou resistência em quem não tem diagnóstico clínico. “O uso indiscriminado pode elevar atendimentos de emergência, mascarar doenças como hipertensão e diabetes e gerar dependência psicológica”.
Riscos reais do medicamento
Embora o energético não contenha o princípio ativo, a associação com a tadalafila levanta preocupações sobre o uso real do medicamento sem acompanhamento. A ingestão descontrolada pode causar:
- Queda acentuada da pressão arterial;
- Eventos cardiovasculares como infarto e AVC;
- Perda súbita de visão ou audição;
- Priapismo (ereção prolongada e dolorosa).
A indicação clínica da substância se restringe a homens com disfunção erétil comprovada ou hiperplasia prostática benigna. O uso por jovens sem problemas orgânicos, motivado apenas por insegurança, preocupa os médicos. “O risco é criar dependência psicológica”.

