Custos crescentes e o fim do marketing baseado apenas em cliques
Os custos de publicidade no Meta registraram um aumento recente de 13%, o que sinaliza um alerta para empresas que baseiam todo o seu faturamento em mídia paga. O cenário atual indica que o período de queima de caixa para aquisição de clientes encerrou e transformou plataformas como Google, Meta e TikTok em ambientes de retornos cada vez menores.
Manter uma operação dependente exclusivamente de algoritmos de terceiros coloca a lucratividade do negócio refém de regras externas e leilões inflacionados. A estratégia de construir ativos em terrenos alugados, como redes sociais, é vista agora como uma falha estrutural.
Caio Matos analisou essa vulnerabilidade durante o podcast Analytics Talks.
“Você está construindo o prédio no pântano. O terreno não é controlável, as regras mudam a qualquer momento.”
Comunidade como ferramenta de eficiência operacional
A alternativa para fugir do custo de aquisição inflacionado é o Community-Led Growth (CLG), ou crescimento liderado pela comunidade. Essa estratégia vai muito além de criar grupos em aplicativos de mensagens e foca em transformar usuários em alavancas para o negócio.
Grandes empresas de tecnologia já utilizam esse modelo para reduzir custos internos:
- Vercel: Usa código aberto para que a comunidade desenvolva ferramentas, o que elimina gastos com engenharia.
- Notion: Incentiva usuários a criarem templates, o que resolve a dificuldade de começar a usar o produto do zero.
Essas companhias conseguem suporte técnico, vendas e desenvolvimento de produto de forma orgânica, pois entenderam que ser dono da própria audiência vale mais do que alugar a atenção das pessoas.
Ajustes técnicos reduzem custos em até 15%
A falta de rigor técnico nas operações de marketing custa dinheiro. Empresas que abandonam planilhas manuais e adotam automações via API e rastreamento pelo lado do servidor (server-side) conseguem resultados melhores. Existem casos onde a simples automação para não exibir anúncios a quem já comprou o produto reduziu o Custo de Aquisição de Clientes (CAC) em 15%.
O enriquecimento de dados primários, ou first-party data, ajuda a educar os algoritmos sobre quem é o cliente ideal, o que supera a dependência da sorte em campanhas automatizadas.
A ilusão da mensuração apenas por cliques
A ideia de que o marketing digital permite medir tudo através de cliques criou uma visão limitada sobre como o consumidor se comporta. A jornada de compra real exige uma combinação de métodos de análise, incluindo modelos de atribuição e mix de marketing (MMM).
Um exemplo prático é o prédio da Afya. Milhares de pessoas veem a marca fisicamente todos os dias e buscam por ela no Google depois. Ferramentas tradicionais dão o crédito apenas para a busca online, mas modelos estatísticos conseguem isolar o impacto real da presença física nas vendas.
Cortar investimentos que fortalecem a marca apenas porque eles não geram um clique imediato é comparado a demolir a fundação de uma casa porque ela não aparece na foto.
O novo perfil do estrategista
O mercado exige hoje um profissional híbrido, que equilibre o rigor das métricas financeiras com a criatividade. Com a inteligência artificial capaz de gerar centenas de variações de anúncios em minutos, a escala virou algo comum. O diferencial competitivo passou a ser a capacidade de criar algo que faça o usuário parar de rolar a tela.
A diversificação de canais deixou de ser apenas um teste em novas redes sociais para se tornar uma decisão de arquitetura de negócio. O foco se volta para a construção de ativos próprios, como newsletters, blogs e podcasts, que garantem a comunicação com o público mesmo se as regras das grandes plataformas mudarem.

