Kit de exploração ataca carteiras digitais no iOS
Um kit de exploração avançado, identificado como Coruna, está sendo utilizado para limpar carteiras de criptomoedas em iPhones. O Google TAG aponta que a ferramenta aproveita 23 brechas de segurança diferentes do sistema iOS para contornar as proteções da Apple e acessar o dinheiro das vítimas.
O ataque acontece de maneira silenciosa e não causa travamentos nos aplicativos nem exibe propagandas suspeitas. O sistema faz varreduras automáticas no aparelho para roubar códigos de recuperação e chaves privadas antes mesmo que a pessoa note a invasão.
Como o golpe funciona
Tudo começa com um único clique em sites comprometidos que simulam páginas de notícias ou plataformas de apostas. O malware explora falhas no motor do navegador e usa técnicas para escapar das restrições de segurança do sistema e ganhar controle sobre o dispositivo.
A ameaça afeta versões do iOS entre a 13.0 e a 17.2.1 e realiza buscas profundas no armazenamento do celular. O foco do software malicioso está em encontrar dados sensíveis armazenados de forma insegura:
- Strings de texto ligadas a criptomoedas nos arquivos do sistema;
- Códigos QR de acesso salvos na galeria de fotos;
- Frases de recuperação (mnemonics) anotadas no aplicativo Notas.
Aplicativos em risco e alcance
Carteiras não custodiais populares, como MetaMask, Trust Wallet e Bitget Wallet (antiga BitKeep), estão na mira direta desse ataque. O cenário marca uma mudança onde ferramentas sofisticadas, antes restritas a espionagem estatal, agora chegam às mãos de criminosos comuns para ampliar golpes financeiros.
Dados da empresa de segurança iVerify mostram que pelo menos 42 mil aparelhos já foram comprometidos pelo Coruna. O mercado de roubo de ativos digitais registrou perdas superiores a US$ 75 bilhões em 2025, impulsionadas em grande parte por drenadores de carteiras como este.
Especialistas indicam que o comportamento de priorizar velocidade nas transações aumenta o risco de exposição. A recomendação de segurança envolve transferir os fundos para carteiras físicas, conhecidas como armazenamento frio, e manter o sistema operacional sempre atualizado para fechar as brechas exploradas.

