Humanos assumem trabalhos manuais para cobrir falhas de robôs
A Waymo começou a pagar cerca de R$ 127 para pessoas fecharem as portas de seus carros autônomos nas ruas. A vaga inusitada surge para cobrir uma limitação básica das máquinas sem motorista.
O veículo inteligente não sai do lugar se um passageiro deixar a porta aberta ao desembarcar. A empresa do Google resolveu o problema contratando entregadores de aplicativos de comida para irem até os carros parados.
O avanço da inteligência artificial prometia acabar com o trabalho braçal. A realidade mostra um novo mercado de tarefas de apoio precarizadas para ajudar a tecnologia a funcionar no dia a dia.
O pesquisador Diogo Cortiz aponta que a inovação tirou o humano do volante e o colocou em funções opacas.
“A inteligência artificial conseguiu criar uma tecnologia em que o humano deixou de dirigir o carro, mas passou a ser um ‘fechador de portas’ e o ‘zelador de robôs’, que caem por aí. Isso traz a questão de como o trabalho humano começa a ser guiado para o desenvolvimento da tecnologia, mas num processo de precarização, muitas vezes sem que as pessoas consigam entender o que estão fazendo.”
Outra função que ganha espaço nas calçadas é a de babá de robô. Esses trabalhadores resgatam entregadores mecânicos que travam em buracos ou tombam durante o trajeto.
O resgate exige levantar a máquina, limpar a estrutura e até fazer atualizações de software na rua. O equipamento faz quase tudo sozinho, mas depende de ajuda física quando fica preso.
A Uber também entrou nessa onda de bico dentro do bico. A plataforma recruta motoristas parados para treinar sistemas automatizados enquanto eles aguardam novas corridas.
Especialistas acreditam que essas vagas curiosas não vieram para ficar. A própria tecnologia deve corrigir as limitações em breve com a criação de portas que fecham sozinhas.

