Avanço dos robôs afeta o bolso dos profissionais de idiomas
Sistemas de inteligência artificial já tiram o trabalho de quem ganha a vida traduzindo textos. Uma pesquisa britânica mostra que 36% dos tradutores perderam contratos para a tecnologia e 43% sentiram a queda na renda.
O cenário se repete no Brasil com profissionais que prestam serviço para grandes empresas de tecnologia. O linguista freelancer Lucas Dasaieve relata uma queda drástica na sua rotina de entregas.
“Entre 2021 e 2023, perdi cerca de 90% do volume de tradução, revisão copywriting.”
As plataformas prometiam que a máquina faria o trabalho pesado e os humanos fariam os ajustes finais mantendo a mesma remuneração. O mercado atual mostra que a revisão de textos feitos por robôs paga de 50% a 70% menos que uma tradução normal.
“Na prática, o humano continua fazendo grande parte do esforço para manter a aparência de que a IA funciona. Trabalhamos mais para corrigir os erros da máquina, mas recebendo muito menos.”
O linguista André de Souza Mucciolo viveu algo parecido quando a empresa onde ele prestava serviço atualizou o sistema. O modelo novo fez o processo ficar tão rápido que a chefia cortou uma parte da equipe.
O diferencial do cérebro humano
A máquina ganha na velocidade e no preço, mas esbarra na falta de bagagem cultural e na interpretação de textos complexos. O cérebro humano percebe o clima do conteúdo e entende se o material é jurídico ou de vendas com uma intuição que os robôs não possuem.
“Eu sinto que essa intuição é uma das linhas entre máquina e ser humano. A IA é processual, estatística.”
Como sobreviver no mercado
Especialistas avaliam que o profissional de idiomas precisa virar um curador linguístico em vez de apenas traduzir palavras. O professor Thiago Blanch Pires da Universidade de Brasília explica que os alunos sentem ansiedade com o mercado, mas precisam correr atrás para entender o funcionamento das ferramentas.
A saída para quem atua na área é usar a tecnologia como uma aliada no dia a dia. Uma linguista que trabalha para o Google compara a inteligência artificial com um colega de trabalho que ajuda a pensar e resolve a parte cansativa do serviço.
“Posso me concentrar no trabalho realmente intelectual e interessante enquanto ela faz o ‘chato’, como comparar documentos, por exemplo. Eu poderia dizer que ela é uma boa copilota, mas sou eu quem está dirigindo o carro, e as pessoas dentro dele continuam sendo minha responsabilidade, não dela.”
As principais formas de usar a tecnologia a favor da profissão incluem:
- Pesquisa de termos específicos de forma rápida
- Geração de ideias nos momentos de bloqueio criativo
- Comparação automática de documentos grandes

