O estrategista de marketing político João Santana avalia que o atual cenário eleitoral favorece uma candidatura alternativa à polarização. Ele publicou um vídeo nas redes sociais no último sábado (21) para explicar que existe espaço para um candidato de centro crescer na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.
A pesquisa Genial/Quaest divulgada em 11 de março mostra um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno com 41% das intenções de voto cada. Os dados reforçam a divisão política atual, mas Santana acredita que as intenções de voto formam camadas movediças e abrem margem para novos movimentos.
O especialista orienta que a estratégia não deve focar em ataques diretos aos dois polos principais.
“Crescerá o candidato de centro que esqueça a técnica emocional de bater nos dois lados e se concentre em um discurso de conciliação nacional, solidamente ancorado em três vertentes”
O plano de desenvolvimento sugerido pelo estrategista envolve a defesa da democracia e uma reengenharia dos programas sociais. O candidato também precisa focar em novas tecnologias e na economia do conhecimento para modernizar as relações de trabalho.
O discurso precisa chegar de forma simples e sedutora para a população.
“O candidato precisa saber traduzir isso em paz e progresso. Traduzir isso de forma simples e sedutora e mais segurança, mais saúde, novo empreendedorismo e, principalmente, mais esperança para a grande massa de informais e desertados”
A construção dessa narrativa exige muita emoção e credibilidade para funcionar na prática. O marqueteiro reconhece que a tarefa não é fácil, mas aponta que o sucesso depende de penetrar nas falhas e insuficiências dos dois candidatos líderes.
O levantamento da Genial/Quaest também indica um grupo grande de eleitores fora dessa escolha direta. A pesquisa aponta que 16% dos entrevistados votariam em branco ou nulo, enquanto 2% ainda não sabem quem escolher.
Os índices de rejeição ajudam a explicar essa margem para uma terceira via. O levantamento mostra que 56% dos eleitores não votariam em Lula de jeito nenhum, enquanto 55% rejeitam Flávio Bolsonaro.
A rejeição ao presidente cresceu dois pontos em relação à pesquisa anterior de fevereiro, enquanto a do senador continuou igual. O maior desafio para uma sigla de oposição agora é manter uma candidatura presidencial forte sem destruir os acordos políticos regionais.

