Médicos têm até agosto para se adequar às novas regras de inteligência artificial

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O que muda com a nova resolução

Médicos e hospitais brasileiros precisam ajustar seus processos até o dia 26 de agosto para cumprir as novas regras sobre o uso de inteligência artificial na saúde. A norma do Conselho Federal de Medicina regulamenta ferramentas que vão desde a organização de prontuários até os sistemas que ajudam no diagnóstico de doenças.

O texto oficial tenta resolver a falta de regras claras e cria um padrão mínimo de segurança para a adoção da tecnologia. O conselheiro federal Jeancarlo Cavalcante explica o foco principal do documento.

“A resolução estabelece princípios fundamentais, como transparência no uso da IA e a responsabilidade do médico pelas decisões tomadas com apoio dessas ferramentas.”

A decisão final continua sendo do médico

A inteligência artificial deve atuar apenas como um apoio durante o atendimento e não substitui a avaliação humana. O profissional de saúde é o responsável final pela conduta médica, mesmo quando o algoritmo analisa exames ou sugere tratamentos.

A regra deixa claro que o uso da ferramenta exige atenção constante do profissional. Jeancarlo reforça quem assume as consequências de eventuais falhas.

“Se ocorrer algum erro ou dano, o médico não poderá atribuir isso à tecnologia, porque ele é responsável pela utilização da ferramenta.”

Por outro lado, o médico ganha proteção jurídica caso o erro seja exclusivamente do sistema tecnológico. Isso vale desde que o profissional consiga provar que usou a ferramenta de forma correta e dentro da ética médica.

Direitos dos pacientes e deveres dos hospitais

Quem busca atendimento tem o direito de saber se a inteligência artificial faz parte do seu cuidado. O médico precisa avisar o paciente sobre o uso da tecnologia e respeitar caso ele recuse esse tipo de abordagem no tratamento.

As clínicas e hospitais que usam ou criam sistemas próprios ganham uma nova obrigação estrutural. Esses locais precisam montar uma comissão específica para avaliar a tecnologia, sempre com um médico na coordenação do grupo.

O gerente médico de informática clínica do Hospital Sírio-Libanês, Fábio de Cerqueira Lario, aponta que a segurança depende de acompanhamento diário.

“Sobretudo para sistemas que impactam decisões clínicas, é essencial garantir a participação do médico na tomada de decisão e monitorar os desfechos da utilização dessas ferramentas.”

Níveis de risco dos sistemas

O conselho dividiu as ferramentas de acordo com o impacto que elas podem causar na saúde do paciente. Essa divisão define o nível de controle e supervisão que cada software exige no dia a dia.

  • Baixo risco: Sistemas de rotina administrativa, como agendamento de consultas.
  • Médio risco: Programas que analisam exames e dão sugestões de diagnóstico, mas exigem validação humana.
  • Alto risco: Equipamentos que tomam decisões de tratamento, como bombas de infusão de remédios.

As aplicações classificadas como de alto risco são proibidas de funcionar sem o acompanhamento humano constante. Isso evita que máquinas administrem medicamentos perigosos sem a supervisão de um especialista.

O que fazer antes do prazo final

Os profissionais e as instituições de saúde precisam organizar uma série de processos até o fim de agosto. O objetivo é garantir que toda a operação tecnológica aconteça dentro da lei e das regras de proteção de dados.

  • Identificar todos os sistemas de inteligência artificial usados na rotina médica.
  • Verificar se as ferramentas possuem validação científica e certificação.
  • Registrar sempre no prontuário do paciente quando usar o apoio da tecnologia.
  • Criar a comissão obrigatória dentro dos hospitais para monitorar o uso dos algoritmos.
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