Fundadores da Zup criam a NeoSpace para desenvolver inteligência artificial do zero

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O foco em dados brutos e o investimento do Itaú

Os fundadores da Zup criaram uma nova empresa de inteligência artificial após a venda da companhia para o Itaú Unibanco. A NeoSpace surge com a proposta de treinar modelos do zero para analisar dados corporativos brutos em vez de focar apenas em linguagem.

A equipe conta com Felipe Almeida, Bruno Pierobon, Gustavo Debs e Thiago Teixeira. O Itaú Unibanco foi o primeiro cliente e investidor da iniciativa com um aporte de US$ 15 milhões por 15% da nova companhia.

O cofundador da NeoSpace explicou a motivação do grupo após o fim dos compromissos com o banco.

“Quando terminou o earn-out, nos perguntamos: o que ainda não foi resolvido? E a resposta foi inteligência artificial (IA)”

A nova tecnologia se afasta da onda atual de ferramentas baseadas em textos. A ideia principal envolve criar modelos chamados de Large Data Models (LDMs).

“Poucos dominam a criação de modelos do zero. A maioria está construindo em cima do que já existe. Queríamos voltar para a base”

A diferença para o aprendizado de máquina tradicional

O mercado sempre teve dificuldade para transformar o grande volume de informações em decisões práticas porque o modelo antigo usava apenas médias e resumos estatísticos. A NeoSpace inverte essa lógica e treina o sistema diretamente sobre eventos brutos como cliques, transações e interações de navegação.

Felipe Almeida detalhou como o modelo antigo elimina informações importantes.

“Geralmente, se usa dado condensado. Um cliente vira média, comportamento típico, padrão. Mas a realidade é muito mais rica do que isso”

O processamento de trilhões de pontos de dados exige muito poder de computação e motivou uma parceria com a Oracle para uso intensivo de placas de vídeo. A mudança de tecnologia permitiu que a ferramenta superasse as abordagens tradicionais em testes iniciais.

O executivo destacou a importância do novo hardware.

“A grande virada foi sair do CPU para GPU. Isso mudou tudo. A capacidade de processar esse volume de dados abriu um novo caminho”

Ganhos financeiros e expansão do negócio

O objetivo da tecnologia é gerar impacto financeiro direto para as empresas ao prever cancelamentos de clientes, analisar crédito e evitar fraudes. Nos testes atuais, a ferramenta mostrou ganhos entre 15% e 60% de precisão quando comparada aos modelos antigos.

Bruno Pierobon reforçou o papel da tecnologia no resultado das empresas.

“Quando se consegue transformar esse volume massivo de dados em decisões melhores, o impacto não é marginal, ele aparece diretamente no resultado da companhia”

A companhia já reúne cerca de 90 funcionários e atende setores como telecomunicações, seguros, aviação e agronegócio com previsão de faturamento de R$ 300 milhões. Os fundadores já preparam a expansão internacional e começaram a contratar profissionais nos Estados Unidos.

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