Complexo militar guiado por dados
As maiores empresas de tecnologia do mundo fornecem hoje a estrutura principal para o controle de guerras. O livro As Big Techs e a Guerra Total mostra como companhias como Google e Microsoft integram a inteligência artificial aos campos de batalha.
A obra do pesquisador Sérgio Amadeu da Silveira explica a formação de um complexo militar guiado pelo processamento de informações. O texto alerta para o perigo de delegar escolhas sobre a vida e a morte para máquinas automatizadas.
Essas corporações dominam o mercado de computação em nuvem e cobram pelo aluguel de servidores via internet. O treinamento de sistemas avançados de inteligência artificial exige equipamentos potentes que apenas essas poucas empresas possuem.
A Amazon e a Microsoft concentram sozinhas cerca de 62% do mercado global de infraestrutura de rede. O setor forma um pequeno grupo de comando que dita as regras sobre os dados mundiais.
Contratos bilionários de defesa
Os serviços abandonaram o foco apenas civil e passaram a organizar operações militares ativas. O Projeto JWCC repassa até 36 bilhões de dólares para Amazon, Microsoft, Google e Oracle apoiarem a defesa dos Estados Unidos.
O governo de Israel também fechou um contrato focado em vigilância populacional constante. O acordo conhecido como Projeto Nimbus paga 1,2 bilhão de dólares para Google e Amazon fornecerem análise de dados aos militares.
Máquinas escolhem alvos humanos
A inteligência artificial militar analisa montanhas de informações brutas para criar listas de alvos. Os sistemas automatizados convertem o comportamento das pessoas em números para facilitar os ataques.
O uso tático da tecnologia inclui as seguintes funções de guerra:
- Identificação de objetos e pessoas por meio de imagens gravadas por drones.
- Processamento de redes sociais para gerar listas de suspeitos para eliminação.
- Recomendação de edifícios e estruturas físicas para bombardeios.
- Rastreamento familiar através de programas de geolocalização.
A presença da automação afasta a decisão humana e transforma o inimigo em um simples dado estatístico no monitor. A prática consolida o poder geopolítico americano e aumenta a dependência digital de países mais pobres.

