As grandes plataformas digitais e agências de publicidade concentram o dinheiro do mercado e colocam a informação de qualidade em risco. A lógica financeira atual prioriza o ganho de escala, o que cria um círculo fechado e deixa o jornalismo especializado sem recursos.
Grupos internacionais controlam as principais agências de publicidade e ditam o ritmo dos investimentos no país. Essas empresas buscam grandes números de acessos e direcionam os orçamentos para veículos globais, o que marginaliza as pautas locais e segmentadas.
O cenário atual de monopólio exige uma mudança na forma como o mercado enxerga a produção de conteúdo e a distribuição de verbas.
“A concentração dos recursos publicitários nada tem a ver com livre iniciativa, mas sim com hegemonia. Precisamos de um mercado onde a informação qualificada seja vista como um ativo de desenvolvimento, e não apenas como um suporte para anúncios.”
Dinheiro molda o formato das notícias
A falta de capital aberto para empresas de mídia no país dificulta a sustentabilidade financeira das redações. Sem dinheiro próprio, o jornalismo se torna refém dos interesses dos anunciantes e da busca por cliques fáceis para satisfazer os algoritmos.
Métricas de pagamento como Custo por Mil e Custo por Clique valorizam apenas a quantidade de pessoas que acessam a página. Esse formato ignora a qualidade do público e prejudica sites que cobrem temas complexos, já que para as agências importa apenas bater a meta de acessos numéricos.
Caminhos para mudar o financiamento
O setor de publicidade precisa adotar práticas de responsabilidade social para não financiar a desinformação de forma indireta. A criação de novos formatos de repasse de verbas é urgente para evitar que a população viva em desertos de notícias.
- Transparência nos algoritmos: Agências e anunciantes devem informar onde os anúncios aparecem.
- Valorização de nichos: O mercado precisa reconhecer o valor das comunidades engajadas em temas de interesse público.
- Acesso a recursos: A abertura de capital e a criação de fundos de fomento ajudam a manter os veículos independentes.

