Inteligência artificial e o futuro do trabalho
A discussão sobre o papel da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho ganha cada vez mais força. Uma das questões principais se concentra na possibilidade de a IA substituir profissionais, especialmente na área de programação.
Especialistas debatem que essa ideia pode ser uma simplificação de um cenário complexo. Se a IA fosse capaz de automatizar todas as funções de desenvolvimento, essa lógica se estenderia a muitas outras profissões, o que poderia levar a uma superprodução generalizada.
A inteligência artificial ainda não lê mentes
É importante entender que a inteligência artificial não adivinha intenções, ela apenas responde ao que foi pedido. Essa limitação destaca a nossa própria dificuldade em expressar o que realmente queremos, conforme destacado em um reel do Instagram.
Um estudo de Stanford revelou que as “alucinações” da IA, que são respostas imprecisas ou inventadas, são uma certeza matemática. Detalhes desse estudo podem ser consultados em um artigo disponível no servidor arXiv.
Isso significa que, por mais avançada que seja, a IA generativa, em sua essência, apenas prevê a próxima palavra de um texto. Por isso, a ferramenta serve principalmente para automatizar tarefas repetitivas e simples.
Alguns chegam a comparar a IA generativa a um “corretor de celular melhorzinho” ou até “com esteroides”, uma visão compartilhada pelo criador do Linux.
Programadores e as tarefas complexas da IA
Ser um desenvolvedor ou engenheiro de software envolve muito mais do que apenas escrever código. É um trabalho que exige diversas habilidades além da codificação.
- Manutenção de códigos escritos, inclusive por inteligências artificiais.
- Depuração de aplicações para resolver problemas em regras de negócio específicas.
- Leitura e compreensão de códigos complexos.
- Negociação de prazos e escopos de projetos.
- Compartilhamento de conhecimento e mentoria a outros profissionais.
- Trabalho colaborativo em equipes.
Ferramentas como o ChatGPT não foram criadas para realizar todas essas funções de forma autônoma. Elas servem para auxiliar, mas o propósito de uma IA generativa é principalmente prever a próxima palavra de um texto, automatizando tarefas repetitivas e simples.
A IA, portanto, não tem a capacidade de arquitetar um software, já que isso envolve uma compreensão aprofundada do negócio. Por essa razão, algumas grandes empresas no Brasil, como o Itaú, já bloquearam o acesso interno a essas ferramentas para proteger processos sigilosos.
Mesmo que uma IA consiga auxiliar na depuração de códigos, ainda será necessário ter alguém monitorando seu trabalho. Questiona-se quantos “monitores de IA” seriam necessários, mas provavelmente um número menor do que uma equipe completa de desenvolvedores.
Impacto social e econômico da IA
Apesar de a IA não substituir totalmente as profissões, há preocupações com a redução de vagas e a diminuição de salários em alguns setores. Isso acontece porque um único profissional, com o auxílio da IA, pode realizar o trabalho que antes exigia uma equipe maior.
Em um exemplo real, uma grande empresa de alimentos previa que, de 40 planejadoras de cardápios, apenas três seriam mantidas para validar os planos gerados automaticamente pela IA. Essa mudança levanta discussões sobre a renda básica universal como uma tentativa de conter o impacto na população.
Contudo, a ideia de renda básica universal é vista por muitos como uma regressão. Além disso, a tecnologia sempre terá falhas, e o conhecimento humano será essencial para lidar com elas.
Outra questão importante é a coleta de dados em regiões isoladas, como comunidades ribeirinhas ou favelas. Nesses locais, a IA pode encontrar limitações devido à escassez de dados de qualidade, dependendo ainda da interação humana e do contexto social.
O lado humano da inteligência artificial
O fator humano permanece crucial em diversas áreas, como a medicina. Embora a IA possa diagnosticar doenças com alta precisão, ela não pode tirar o pulso, verificar a temperatura ou observar as reações de um paciente como um médico faz.
Há também o desconforto de muitos pacientes em serem tratados exclusivamente por uma máquina. Em áreas com alta demanda, como a saúde, a IA pode aumentar a produtividade dos profissionais, permitindo que eles atendam mais pessoas, em vez de eliminar a necessidade de médicos.
A evolução da IA tem sido rápida; modelos de linguagem grandes não existiam há apenas cinco anos, e hoje já oferecem análises coerentes de textos complexos. No entanto, o propósito de um profissional vai além do que a IA pode fazer sozinha.
A IA é uma ferramenta poderosa para automatizar tarefas simples e repetitivas. Mas ela ainda carece da capacidade de “sonhar” ou de ter ideias criativas para desenvolver inovações, algo que permanece uma atribuição humana essencial.

