Debate aponta fragilidade nos investimentos e custos energéticos da tecnologia
O atual cenário da inteligência artificial pode ser uma bolha especulativa prestes a estourar, segundo análise feita pelo neurocientista Miguel Nicolelis e pelo economista José Kobori. Durante participação no podcast Inteligência Ltda., os especialistas compararam o momento a uma “corrida do ouro” motivada pelo medo de empresas ficarem para trás no mercado.
Grandes volumes de capital entram no setor sem que existam fundamentos econômicos sólidos ou garantia de retorno financeiro imediato. Para José Kobori, a disparidade entre o valor de mercado das companhias e a receita real gerada lembra crises passadas, como a bolha das empresas de internet nos anos 2000, onde a expectativa superava a realidade.
Miguel Nicolelis critica o uso do termo “inteligência” para descrever os sistemas atuais, pois eles não possuem consciência ou compreensão similar à do cérebro humano. O neurocientista alerta para o risco de um “tecnofeudalismo”, onde um grupo reduzido de corporações controla toda a infraestrutura digital e os dados da população.
A sustentabilidade dos modelos generativos como o ChatGPT também entrou em pauta devido ao alto consumo de energia necessário para manter os data centers em operação. A viabilidade dessa infraestrutura a longo prazo gera dúvidas diante das limitações de recursos renováveis e dos impactos climáticos causados pelo processamento massivo de dados.
Pioneiro na área de interfaces cérebro-máquina, Nicolelis também explicou as barreiras biológicas que impedem a fusão completa entre humanos e computadores. Ele contesta as promessas de “links neurais” e a visão de que a tecnologia resolverá sozinha problemas complexos da humanidade.
O debate reforçou a necessidade de maior educação científica e política no Brasil para que a sociedade entenda melhor essas ferramentas. Quem deseja conferir a conversa na íntegra pode acessar o episódio número 1753 através do link oficial da transmissão.

