Mombak capta US$ 250 milhões e lança novo fundo para reflorestamento na Amazônia

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Investimento e nova fase de expansão

A startup brasileira Mombak, focada em remoção de carbono, iniciou uma nova etapa de crescimento acelerado após validar seu modelo de negócios. A empresa já levantou um total de US$ 250 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhão) e agora estrutura um segundo fundo de investimento para ampliar seus projetos na Amazônia.

O objetivo desse novo fundo é superar o valor captado anteriormente. O BNDES selecionou o veículo em uma chamada pública e vai aportar até R$ 500 milhões via equity, o que significa que o banco terá participação nos resultados. A meta é atrair mais capital privado para multiplicar esses recursos.

Tomás Balistiero, diretor de operações da Mombak, explica a mudança de estratégia para essa nova fase. “A gente está avançando significativamente na captação de recursos, agora numa lógica um pouco diferente, na qual já temos comprador, eu capto dinheiro e coloco o projeto em pé, porque eu já testei o produto e o produto funcionou.”

Parcerias com gigantes de tecnologia

A confiança no modelo da Mombak vem de contratos de peso firmados com grandes empresas globais. A startup vende créditos de remoção de carbono gerados pelo reflorestamento de áreas degradadas. Entre os principais clientes estão:

  • Microsoft: Assinou acordo para comprar até 1,5 milhão de créditos até 2032.
  • Google: Fechou a compra de 200 mil toneladas de remoção de carbono.
  • McLaren e McKinsey: Também possuem acordos de compra de créditos.

Um diferencial importante é o valor do crédito. Enquanto a média do mercado varia entre US$ 2 e US$ 50, a Mombak consegue cobrar cerca de US$ 100 por tonelada. Isso acontece porque a empresa oferece um produto considerado de alta integridade e qualidade, com garantia de que o carbono foi realmente removido da atmosfera.

Tecnologia aplicada à floresta

Para garantir a eficiência e a transparência do processo, a Mombak utiliza tecnologia avançada no monitoramento das áreas. A metodologia conecta dados coletados em campo com o uso de drones, modelagem 3D e imagens de satélite. Isso permite medir com precisão quanto carbono a floresta capturou.

A operação consiste na compra de terras degradadas ou em parcerias com produtores rurais. No modelo de parceria, o dono da terra recebe parte da receita gerada pelos créditos de carbono, criando uma fonte de renda de longo prazo.

Até o momento, a startup já realizou o plantio de 12 milhões de árvores em 12 fazendas no Pará. São mais de 100 espécies nativas, incluindo algumas ameaçadas de extinção como mogno e castanha-do-pará. A área total sob gestão chega a 20 mil hectares.

O desafio climático

A criação da Mombak partiu da visão de seus fundadores, Peter Fernández (ex-99) e Gabriel Haddad Silva (ex-Nubank), de que apenas reduzir emissões não é suficiente para combater as mudanças climáticas. Segundo a empresa, o reflorestamento em larga escala na Amazônia é a ferramenta mais eficiente disponível hoje para remover o CO2 que já está na atmosfera.

Balistiero reforça a necessidade de combinar redução e remoção. “(A segunda coisa) é que você tem que remover carbono. Deveriam ser removidos 10 bilhões de toneladas de CO2 equivalente por ano, um volume muito significativo.”

A meta de longo prazo da companhia é ambiciosa: remover 1 milhão de toneladas de CO2 da atmosfera por ano a partir de 2035.

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