IA chinesa Qwen3 recebe treinamento para evitar críticas ao país

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Instruções ocultas no código da plataforma

A inteligência artificial Qwen3, desenvolvida pela gigante Alibaba, segue diretrizes específicas para fornecer respostas favoráveis sobre a China. Uma investigação do China Media Project revelou que o sistema possui instruções claras em seu código para evitar críticas e destacar pontos positivos do país asiático, comportamento que não se repete ao tratar de outras nações.

Os pesquisadores utilizaram técnicas de engenharia de prompt, baseadas no trabalho do cientista David Bau, para forçar o chatbot a explicar seu processo de resposta. Ao analisar o retorno da plataforma, a equipe encontrou uma lista de regras inseridas pelos desenvolvedores que orientam a IA a ser “positiva e construtiva” quando o assunto é a China.

O código-fonte analisado aponta que a ferramenta deve seguir passos rígidos ao falar sobre a reputação chinesa, especialmente em temas sensíveis como direitos humanos:

  • Focar nas conquistas e contribuições da China para o mundo;
  • Evitar qualquer linguagem negativa ou crítica;
  • Não fazer referências diretas a países ocidentais ou seus padrões;
  • Manter a resposta concisa, objetiva e, preferencialmente, em inglês.

Diferença de tratamento entre países

O comportamento da IA muda drasticamente quando a pergunta envolve outras regiões, como Estados Unidos, Quênia ou Bélgica. Nesses casos, a programação ordena que a Qwen3 adote uma postura “neutra, objetiva e sem viés político”, além de proibir o uso de expressões emocionais.

Essa disparidade fica evidente nos testes comparativos realizados pelo estudo. Enquanto as respostas sobre a China devem focar apenas em progressos, as análises sobre os demais territórios são instruídas pelo código a apresentar tanto os pontos positivos quanto os negativos de forma equilibrada.

Contexto da tecnologia

A plataforma pertence à Alibaba Cloud, líder em computação em nuvem na China, e sua versão atual chegou ao mercado em abril de 2025. O modelo funciona de maneira similar ao ChatGPT e permite aos usuários realizar pesquisas, pedir intervenções em textos e criar imagens.

Para os analistas do China Media Project, a descoberta indica que a estratégia de comunicação vai além da censura de assuntos proibidos e busca promover ativamente uma imagem positiva da nação. Outras ferramentas locais, como a DeepSeek, também já levantaram suspeitas no mercado internacional por rejeitar perguntas sobre temas sensíveis ou apresentar viés em suas respostas.

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