Lula critica monopólio de dados e defende regulação de IA na Índia

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Controle de algoritmos e soberania digital

O presidente Lula cobrou regras mais rígidas para as grandes empresas de tecnologia durante a Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial 2026, realizada em Nova Délhi. Em discurso feito nesta quinta-feira (19), o chefe do Executivo brasileiro alertou para os riscos da concentração de infraestrutura digital em poucos países e companhias.

Para o presidente, o cenário atual favorece a desigualdade em vez do progresso técnico compartilhado. “Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação.”

O governo defende que a exploração de dados de cidadãos e empresas nacionais deve gerar retorno financeiro local, o que hoje não acontece de forma equilibrada. Lula também criticou a forma como essas plataformas operam atualmente.

“O modelo atual de negócio dessas empresas depende da exploração de dados pessoais, da renúncia ao direito à privacidade e da monetização de conteúdos chamativos que amplificam a radicalização política.”

Os dois lados da tecnologia

A inteligência artificial foi comparada a revoluções anteriores, como a aviação e a corrida espacial. O discurso destacou que, assim como no passado, a inovação traz benefícios claros para a medicina, segurança alimentar e produtividade industrial, mas carrega perigos que exigem atenção.

O presidente listou ameaças diretas que podem surgir ou piorar com o uso desregulado dessas ferramentas:

  • Criação de armas autônomas;
  • Aumento do discurso de ódio e desinformação;
  • Distorção de processos eleitorais por conteúdos falsos;
  • Riscos de feminicídio e pornografia infantil;
  • Precarização das relações de trabalho.

A regulação das chamadas big techs foi apontada como o caminho para proteger direitos humanos e garantir a integridade das informações que circulam na rede.

Encontro com o Google

A agenda na Índia incluiu uma reunião reservada com Sundar Pichai, CEO do Google. A conversa girou em torno dos planos da gigante de tecnologia para o mercado brasileiro e a inauguração de um Centro de Engenharia em São Paulo.

O governo apresentou ao executivo projetos para atrair novos data centers e reforçou a visão do Brasil sobre o desenvolvimento seguro da inteligência artificial. Segundo Lula, Pichai mostrou interesse em ampliar as ações conjuntas com o setor privado no país.

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