Programa Hackers do Bem abre 25 mil vagas para formação em cibersegurança

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O programa Hackers do Bem anunciou a abertura de 25 mil novas vagas para cursos de cibersegurança com foco em 2026. A iniciativa é do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e conta com execução da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). O projeto visa capacitar pessoas para lidar com o crescimento de golpes digitais e ataques a sistemas.

A expansão das vagas responde a uma escassez mundial de mão de obra qualificada. A organização internacional ISC² aponta que faltam mais de 4,8 milhões de especialistas no setor em todo o mundo. No Brasil, empresas e órgãos públicos buscam esses profissionais para proteger dados e infraestruturas.

O diretor-adjunto da Escola Superior de Redes (ESR), Leandro Guimarães, destaca que o treinamento foca na proteção ética. “São profissionais treinados para identificar vulnerabilidades, prevenir ataques e fortalecer sistemas digitais com ética e responsabilidade. Ao contrário da imagem associada à invasão criminosa, esses especialistas atuam na linha de frente da defesa cibernética”.

Como funciona a formação

O curso não exige experiência prévia e aceita inscrições de diversos perfis. Estudantes do ensino técnico, médio ou universitário, profissionais de TI e pessoas que desejam mudar de área podem se cadastrar. A trilha de aprendizado segue etapas específicas:

  • Nivelamento: Introdução aos conceitos básicos.
  • Básico: Aprofundamento após a conclusão da primeira etapa.
  • Fundamental e Especialização: Inclui aulas ao vivo e laboratórios práticos.
  • Residência Tecnológica: Atuação prática nos escritórios da RNP com bolsa mensal por seis meses.

Diversidade e inclusão no setor

O programa tem atraído perfis variados para um mercado onde as mulheres representam apenas 22% da força de trabalho. Patrícia Monfardini, servidora pública de 52 anos, mudou de área através do curso. “Foi um desafio enorme. Não sabia nada sobre TI, mas, com muita persistência, cheguei à especialização em Red Team. Chorei, estudei e, no final, venci”.

A idade também não foi barreira para Marcelo Goulart, de 60 anos, que viu no projeto uma chance de recomeço. “Acreditava que, aos 60 anos, era tarde para aprender algo completamente novo. Mas essa oportunidade me mostrou que nunca é tarde para recomeçar”.

Profissionais de outras áreas humanas também encontram espaço, como Gabriel Matos, formado em Direito. “Sempre quis trabalhar com segurança, mas achava que isso só era possível na polícia. Quando descobri o Hackers do Bem, foi como encontrar um norte”.

Desde o lançamento em janeiro de 2024, mais de 36 mil alunos receberam certificação. Leandro Guimarães reforça o caráter estratégico da ação para o país. “Mais do que atender ao mercado, o Hackers do Bem busca consolidar a cibersegurança como política pública permanente, formando profissionais preparados para proteger sistemas críticos e fortalecer a soberania tecnológica do país”.

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