Cooperativas de crédito enfrentam aumento de ataques hackers e investem em inteligência artificial

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Ameaças virtuais colocam em risco dados de 15 milhões de cooperados

As cooperativas de crédito vivem um momento decisivo em sua história tecnológica diante do avanço acelerado de crimes digitais. O setor, que movimenta cifras bilionárias e reúne mais de 15 milhões de associados, deixou de ser visto apenas como uma alternativa comunitária para se tornar um alvo prioritário de criminosos virtuais. Dados recentes apontam que ataques de ransomware contra instituições financeiras cresceram 150% em 2024, atingindo desde grandes bancos até fintechs e cooperativas.

O cenário nacional mostra a gravidade da situação com mais de 132 mil tentativas de ataques cibernéticos registradas apenas entre janeiro e março de 2025. O levantamento da ISH Tecnologia indica que isso corresponde a mais de 20% de todos os incidentes no país. Instituições financeiras e empresas de cartões somaram quase 2 milhões de tentativas de fraude no mesmo período, com um potencial de prejuízo que supera R$ 15,7 bilhões.

Fator humano continua sendo o elo mais fraco da segurança

Apesar de todo o investimento em barreiras digitais, a porta de entrada para a maioria das invasões não é uma falha de software, mas sim o descuido humano. Golpes de phishing, que usam e-mails falsos para roubar senhas, e a engenharia social via WhatsApp lideram as estatísticas de vulnerabilidade. Henrique Carvalho, diretor de operações da Vortex Security, alerta que o investimento precisa focar na detecção rápida.

“Infelizmente, convivemos num mundo onde a maior fraqueza se encontra justamente nas pessoas, nos operadores dos computadores das empresas, ou seja, no usuário. Hoje o investimento deve ser maior na detecção, para que a ameaça seja identificada a tempo.”

Os criminosos utilizam táticas simples, mas eficazes, como clonagem de aplicativos e envio de links fraudulentos que simulam comunicações oficiais. Casos recentes em Minas Gerais e no Sul do país mostraram cooperados recebendo e-mails falsos ou baixando aplicativos clonados que capturavam senhas bancárias. A recomendação de especialistas é clara: não confiar em ninguém e realizar validações extras.

Inteligência artificial atua na defesa e no ataque

A tecnologia que protege é a mesma que, nas mãos erradas, potencializa os riscos. Criminosos já utilizam inteligência artificial para mapear alvos com rapidez e criar ataques mais precisos, como o uso de deepfakes em chamadas de vídeo ou voz. Para combater essa sofisticação, as cooperativas apostam na chamada “IA do Bem”, capaz de identificar padrões suspeitos em tempo real.

Paulo Martins, diretor de segurança da informação da Claro Empresas, destaca a necessidade de sistemas que automatizem a resposta a incidentes. O executivo reforça que o setor financeiro é o que mais investe em proteção devido às exigências do Banco Central.

“Com as informações digitalizadas para serem armazenadas e utilizadas por diversas tecnologias, fundamental para a produtividade, a realidade é que as tentativas de ataque continuarão a acontecer. As empresas mais preparadas são as que têm uma boa proteção tecnológica e estão prontas para rapidamente detectar ataques e, assim, contê-los.”

Estratégias de proteção e colaboração entre cooperativas

Diferente dos grandes bancos que atuam isoladamente, as cooperativas encontraram na colaboração uma ferramenta de defesa. O compartilhamento de informações sobre ameaças e a criação de protocolos comuns ajudam a fortalecer todo o sistema. O Sicoob, por exemplo, implementou um Centro de Operações de Segurança (SOC) que monitora redes 24 horas por dia.

Josias Sales, superintendente de segurança cibernética do Sicoob, explica que a proteção precisa ser dinâmica e acompanhar a evolução das ameaças. A estratégia envolve múltiplas camadas de defesa e um plano de resposta ágil para conter danos.

“A proteção não é absoluta nem permanente, pois ela varia com o tempo. O verdadeiro desafio da segurança digital é manter uma postura contínua de mitigação de riscos, garantindo que possamos prevenir, detectar e responder rapidamente a qualquer incidente de segurança.”

Medidas essenciais para a segurança digital no setor:

  • Autenticação Multifator (MFA): Exigir mais de uma forma de verificação para acessar contas e sistemas.
  • Backups Imutáveis: Manter cópias de segurança que não podem ser alteradas ou apagadas por hackers.
  • Treinamento Contínuo: Capacitar funcionários e cooperados para identificar e-mails e mensagens suspeitas.
  • Monitoramento 24/7: Utilizar inteligência artificial para vigiar o tráfego de dados em tempo real.
  • Gestão de Identidade: Controlar rigorosamente quem tem acesso a quais informações dentro da instituição.
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