Valorização da raridade
Uma carta de Pokémon foi vendida recentemente por 86 milhões de reais em um leilão. O valor astronômico foi confirmado pelo Guinness World Records como a maior quantia já paga por um item desse tipo, que se destaca por ser uma versão “foil” com acabamento brilhante.
A transação levanta debates sobre o que gera valor em um mercado digital cada vez mais automatizado. Enquanto a inteligência artificial torna a criação de imagens e textos abundante e barata, itens físicos raros e certificados seguem o caminho oposto e se valorizam pela escassez.
O preço elevado da carta não se deve ao material, mas à sua graduação nota dez e ao status que ela confere. O princípio da escassez atua como um motor psicológico de consumo, onde figuras de coleção limitadas valem mais do que produtos feitos em massa por robôs.
O papel do profissional criativo
A abundância de conteúdo gerado por IA coloca em xeque o valor do trabalho técnico repetitivo. O mercado passa a buscar quem consegue interpretar dados e conectar informações de forma única, algo que a automação ainda não replica com a mesma eficácia.
Rian Dutra, consultor e pesquisador em psicologia no design, comenta sobre a mudança no perfil exigido pelo mercado. “O profissional continuará tendo valor não porque sabe apertar botão, mas porque sabe decidir qual botão vale a pena apertar.”
A própria ilustração da carta vendida traz um Pikachu segurando um pincel, o que simboliza a relevância do artista. A capacidade de transformar o excesso de informação em significado se torna o diferencial para manter a relevância profissional diante das novas tecnologias.

