Empresa discorda de exigências militares para uso de inteligência artificial
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, confirmou na noite desta quinta-feira (5) que a empresa vai recorrer aos tribunais contra o Pentágono. A decisão acontece logo após o governo dos Estados Unidos classificar oficialmente a startup como um risco à cadeia de suprimentos, o que a impede de participar de contratos governamentais.
A disputa envolve a maneira como o modelo de inteligência artificial da companhia, o Claude, pode ser utilizado pelas Forças Armadas. Enquanto o Departamento de Defesa exigia acesso irrestrito à tecnologia para qualquer finalidade legal, a Anthropic pedia garantias de que seus sistemas não seriam usados em armas totalmente autônomas ou vigilância doméstica em massa.
Amodei reforçou a posição da empresa em comunicado oficial sobre o caso. “Como afirmamos na sexta-feira passada, não acreditamos, e nunca acreditamos, que seja papel da Anthropic ou de qualquer empresa privada se envolver na tomada de decisões operacionais — esse é o papel dos militares”.
O executivo destacou que as restrições impostas pela companhia sempre foram focadas em áreas de alto risco ético. “Nossas únicas preocupações sempre foram nossas exceções para armas totalmente autônomas e vigilância doméstica em massa, que se relacionam a áreas de uso de alto nível, e não à tomada de decisões operacionais.”
Impactos no mercado e concorrência
A classificação de risco obriga fornecedores do setor de defesa a certificarem que não utilizam modelos da Anthropic em trabalhos para o Pentágono. Segundo o CEO, a startup se tornou a única empresa americana a receber esse rótulo publicamente, uma medida geralmente aplicada a organizações de países considerados adversários, como a chinesa Huawei.
A Microsoft, que planeja investir bilhões na Anthropic, informou que seus advogados analisaram a situação. A conclusão jurídica é que os produtos da empresa podem continuar disponíveis para clientes que não sejam o Departamento de Defesa, embora ainda existam incertezas sobre projetos indiretos no setor.
Concorrentes diretos aproveitaram o impasse para avançar nas negociações com o governo. A OpenAI e a xAI aceitaram implantar seus modelos em ambientes classificados, sendo que Sam Altman fechou acordo com o Departamento de Defesa poucas horas após a restrição imposta à rival.
Altman comentou a parceria em uma publicação nas redes sociais. “[A agência demonstrou] profundo respeito pela segurança e o desejo de fazer parceria para alcançar o melhor resultado possível”.
Tensão política e vazamentos
O clima entre a Anthropic e a administração Trump piorou após o vazamento de um memorando interno com críticas ao governo. O texto sugeria que a falta de simpatia da gestão atual com a empresa se devia à ausência de doações ou elogios públicos ao presidente.
Amodei pediu desculpas pelo conteúdo e afirmou que o documento foi escrito após um dia difícil para a companhia. O executivo garantiu que o texto representa uma avaliação desatualizada e que não houve intenção da empresa em divulgar essas informações.

