Guerra no Irã e bolha da inteligência artificial freiam investimentos em startups

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Cenário de incertezas afasta dinheiro

As startups brasileiras conseguiram captar apenas US$ 1,8 bilhão em 2024. Esse valor representa uma queda brusca em comparação com os quase US$ 10 bilhões que essas empresas de tecnologia receberam em 2021.

O mercado financeiro diminuiu os repasses por causa da inflação alta e do aumento das taxas de juros no mundo todo. No Brasil, a taxa Selic subiu bastante e estacionou na faixa dos 15% ao ano.

Os donos de startups até começaram o ano com esperança de melhora. Empresas como a Zapia e a Growpack receberam aportes milionários nos primeiros meses de 2024.

O diretor de Pessoas, Estratégia e Gestão da Irani, Fabiano Alves de Oliveira, explicou o motivo do investimento na fabricante de bioembalagens Growpack.

“A Growpack traz uma proposta alinhada ao nosso propósito de inovar com responsabilidade, combinando tecnologia, sustentabilidade e novos modelos de negócio para o mercado de embalagens”

A situação mudou de figura com o início da guerra no Irã nas últimas semanas. Os investidores ficaram com medo do risco e voltaram a colocar dinheiro em opções mais seguras, deixando as ideias inovadoras de lado.

Medo de uma bolha da inteligência artificial

As startups também precisam provar que o uso de inteligência artificial realmente traz retorno financeiro. Muitos analistas desconfiam que os valores das empresas de tecnologia se encontram inflados de forma artificial.

O cientista Jerry Kaplan demonstrou preocupação com a quantidade de dinheiro que o mercado coloca nesse setor. Ele comparou o momento atual com a crise da internet no final dos anos 1990.

“Quando [a bolha] estourar, vai ser muito ruim, e não apenas para quem trabalha com IA. Vai arrastar o restante da economia junto”

Grandes empresas de tecnologia estão fazendo empréstimos gigantescos para bancar projetos de inteligência artificial. A controladora do Google, por exemplo, pegou crédito que só vai vencer daqui a 100 anos.

O próprio presidente da OpenAI, Sam Altman, reconheceu que o cenário foge do normal.

“Sim, os empréstimos de investimento são sem precedentes. Mas também é sem precedentes empresas crescerem em receita tão rapidamente”

Caminhos alternativos e novos unicórnios

As empresas que faturam até R$ 500 milhões por ano ganharam uma nova opção para buscar dinheiro. A bolsa de valores brasileira lança na próxima semana o Regime Fácil para ajudar essas marcas menores.

A diretora de Listagem e Relacionamento na B3, Flavia Mouta, detalhou o funcionamento do novo programa.

“A negociação das empresas do Fácil acontecerá exatamente no mesmo ambiente das grandes companhias brasileiras, conectadas a investidores de todo o país por meio da nossa infraestrutura, um ambiente regulado, com tecnologia robusta e alto nível de segurança para negociação em tempo real”

As startups menores também recorrem aos projetos de financiamento coletivo para manter o negócio funcionando. Plataformas como EqSeed, Kria e Platta permitem que pessoas físicas e jurídicas comprem fatias dessas empresas.

O Brasil continua na liderança da América Latina quando o assunto é a criação de novos unicórnios. Esse termo serve para classificar as startups que atingem valor de mercado superior a US$ 1 bilhão.

O banco digital Nomad lidera a lista de fortes candidatas a entrar nesse grupo após receber um investimento de US$ 117,5 milhões. O mercado também aposta no crescimento de marcas como Omie, Flash e Celcoin nos próximos anos.

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