Uso de inteligência artificial impulsiona violência digital contra mulheres no ES

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Avanço da tecnologia facilita ataques cibernéticos contra o público feminino

A criação de imagens falsas por meio de inteligência artificial tem multiplicado os ataques contra mulheres e meninas na internet. Um levantamento citado pela Organização das Nações Unidas mostra que mais de 90% dos vídeos íntimos manipulados com essa tecnologia focam no público feminino.

O Espírito Santo registra um aumento desses casos recentes que envolvem a exposição de imagens adulteradas no ambiente virtual. Estudantes de uma escola do estado usaram ferramentas digitais para gerar e espalhar fotos falsas de uma colega nua nas redes sociais.

As autoridades também investigam a denúncia de uma mulher que teve imagens íntimas reais vazadas sem autorização na internet. Práticas como invasão de contas, perseguição virtual e manipulação de fotos viraram rotina e servem para constranger as vítimas.

A legislação do Brasil já trata essas atitudes como crime e prevê punições severas para os agressores. O Código Penal estabelece pena de um a cinco anos de prisão para quem divulga material íntimo sem consentimento e até um ano de detenção para quem cria montagens falsas.

A lei também pune a perseguição constante na internet com até três anos de prisão quando o crime envolve questões de gênero. O Marco Civil da Internet e a Lei Maria da Penha ajudam a responsabilizar os culpados e remover os conteúdos ilegais das plataformas.

O Supremo Tribunal Federal elaborou uma cartilha com orientações claras para as mulheres que sofrem esses ataques. O documento recomenda guardar todas as provas e seguir algumas medidas de proteção para uso em investigações.

  • Tirar capturas de tela e salvar os links com data e horário das publicações.
  • Não responder aos ataques de forma direta na internet.
  • Aumentar a segurança das contas com verificação em duas etapas e ajustes de privacidade.
  • Denunciar o conteúdo para as próprias redes sociais.
  • Procurar apoio psicológico e ajuda jurídica.

As vítimas podem registrar um boletim de ocorrência na delegacia ou ligar para o canal 180 de atendimento à mulher. O Ministério Público também recebe as denúncias e pode pedir medidas protetivas na Justiça contra os agressores.

Mulheres que não conseguem pagar um advogado têm o direito de procurar a Defensoria Pública do estado. O órgão oferece assistência jurídica gratuita para garantir o andamento do processo.

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