A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) encerrou o seu encontro nacional de comunicação em São Paulo com definições práticas para o ambiente digital. Os participantes aprovaram a criação de um comitê executivo e o uso de inteligência artificial para melhorar o alcance das mensagens sindicais na internet.
O evento reuniu mais de 140 pessoas para debater o controle das grandes empresas de tecnologia e a regulação das redes. O pesquisador Ergon Cugler explicou que essas companhias acumulam um valor de mercado de 13 trilhões de dólares e criticou a ideia de que os bilionários crescem apenas pelo esforço individual.
“Existe o chamado ‘mito da garagem’, que tenta fazer acreditar que qualquer pessoa pode se tornar bilionária apenas com esforço individual. Mas, quando analisamos a história dessas empresas, vemos que muitas cresceram com apoio público, heranças familiares ou apropriação de trabalhos coletivos”
A programação contou com treinamentos práticos de edição de vídeo pelo celular e painéis sobre ferramentas modernas. O diretor da CTB Anderson Guahy defendeu que a tecnologia deve ajudar a segmentar e acelerar a comunicação dos movimentos sociais.
“A questão é como utilizar a inteligência artificial para favorecer esse processo, acelerar e também segmentar melhor dentro do nosso plano de comunicação. Isso pode fortalecer as alianças entre os movimentos sociais e preparar nossa atuação para os desafios do período eleitoral”
O debate também abordou a urgência de regulamentar as plataformas digitais para equilibrar a disputa de informações. O deputado federal Orlando Silva apontou que os trabalhadores consomem muito conteúdo pelo celular durante o tempo livre.
“Hoje qualquer trabalhador, em qualquer lugar, pega o celular nos poucos segundos livres que tem. Muitas vezes consome conteúdos produzidos pela extrema direita. Isso mostra a potência desse ambiente digital e a importância de os sindicatos fortalecerem sua comunicação para dialogar com a realidade da classe trabalhadora”
No fim do encontro os sindicalistas aprovaram um documento chamado Carta de São Paulo com os próximos passos da entidade. A lista de ações inclui as seguintes medidas para a rede de comunicação:
- Ampliar a presença da central nos meios digitais e físicos.
- Modernizar a produção de conteúdo.
- Criar um comitê executivo para organizar o trabalho em rede.
- Realizar um novo seminário nacional na cidade de Porto Alegre.

