Uma jovem de 20 anos chamada Kaley e a mãe dela levaram grandes empresas de tecnologia para os tribunais sob a acusação de criarem plataformas focadas em viciar crianças. O TikTok e o Snapchat fizeram um acordo prévio, enquanto o Instagram e o YouTube decidiram enfrentar o processo na via judicial.
A denúncia relata que a jovem começou a consumir vídeos no YouTube aos 6 anos e entrou no Instagram aos 9. A discussão atual deixa de focar no conteúdo publicado por terceiros e passa a questionar o próprio desenho dos aplicativos para reter a atenção humana.
O professor e pesquisador Diogo Cortiz aponta que os sistemas de recomendação alteram a lógica de uso e tiram o poder de escolha da pessoa. “A plataforma deixa de ser um ambiente neutro porque ela começa a entregar os conteúdos, ela determina o que vai para você.”
Recursos apontados como arquitetura do vício
Os advogados de acusação afirmam que as grandes empresas aplicam uma estrutura focada na retenção extrema da atenção. Eles chamam esse modelo de arquitetura do vício, que emprega ferramentas específicas para prolongar o tempo de tela.
- Botão de curtir: cria um sistema rápido de recompensa.
- Rolagem infinita: a tela nunca acaba e sempre carrega novas publicações para evitar que a pessoa saia do aplicativo.
- Reprodução automática: os vídeos tocam sozinhos um atrás do outro.
- Notificações constantes: alertas programados para chamar o usuário de volta para o celular.
Uma condenação pode forçar as empresas a mudar a interface de seus produtos, algo que não aconteceria por vontade própria por afetar diretamente o modelo de negócios. A Comissão Europeia já tomou uma atitude parecida ao exigir que o TikTok mude seu visual para continuar operando nos países do bloco.
O julgamento deve ter o resultado divulgado nos próximos dias e serve como um teste importante para outras 1.500 ações judiciais parecidas. As vítimas querem provar que os aplicativos possuem um defeito de fábrica e exigem recursos como a volta do feed cronológico obrigatório para diminuir a força das recomendações.

