Inteligência artificial reduz vagas em bancos e aumenta pressão sobre funcionários

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O uso de inteligência artificial nos bancos brasileiros cortou postos de trabalho e aumentou a carga sobre os funcionários que continuam nas agências. Dados divulgados pela Febraban mostram que as instituições financeiras investiram R$ 42,3 bilhões em tecnologia no último ano, e 88% delas já aplicam ferramentas geradoras em suas operações internas em 2025.

A automação atinge tarefas que antes precisavam de intervenção humana, com estimativas de que 54% dos empregos no setor podem sofrer substituição por máquinas. As equipes ficam menores, mas a exigência de produtividade cresce de forma contínua para compensar a falta de pessoal.

O advogado trabalhista Sid Fontes avalia que essa mudança afeta a rotina de quem atua nas agências.

“A adoção acelerada da IA no setor bancário tem produzido um efeito bastante claro, redução de postos de trabalho combinada com aumento significativo da pressão sobre os profissionais remanescentes”

Ele aponta que a tecnologia aumenta o controle das empresas sobre o desempenho de cada pessoa.

“Na prática, o que vemos é uma intensificação do trabalho, com metas mais agressivas, maior controle de produtividade e menos autonomia, o que tem impacto direto na saúde mental dos trabalhadores”

Monitoramento em tempo real afeta a saúde

Os bancos agora usam sistemas de inteligência artificial para acompanhar a produtividade ao vivo e definir metas de forma automática. O setor bancário lidera a lista de licenças médicas por problemas psicológicos ligados ao trabalho, dentro de um cenário nacional que registrou 546 mil casos de afastamento por transtornos mentais em 2025.

O especialista em direito bancário explica como essa vigilância constante adoece as equipes.

“Quando o desempenho do empregado passa a ser acompanhado em tempo real, com métricas rígidas e muitas vezes inatingíveis, cria-se um ambiente de vigilância permanente, que gera ansiedade, estresse crônico e, em muitos casos, quadros de burnout”

Ações na Justiça e adaptação profissional

A falta de regras claras leva o problema para a Justiça do Trabalho. Os juízes recebem cada vez mais processos sobre cobrança abusiva e adoecimento mental causado por monitoramento digital.

O advogado destaca a mudança no olhar do Judiciário sobre o tema.

“Já é possível perceber uma tendência de maior sensibilidade para esses temas. Há um aumento de ações envolvendo cobrança excessiva de metas, vigilância digital e adoecimento psíquico”

Ele prevê punições maiores para as empresas que abusam das ferramentas.

“A tendência é de responsabilização mais rigorosa das instituições financeiras, sobretudo quando fica demonstrado que a tecnologia foi utilizada de forma a intensificar o sofrimento do trabalhador”

Entender como os algoritmos funcionam passou a ser uma necessidade para quem deseja se manter no mercado financeiro. Os profissionais precisam desenvolver uma leitura crítica sobre os limites entre a eficiência das máquinas e a saúde no ambiente de trabalho.

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