Infraestrutura tecnológica do sistema público
O Sistema Único de Saúde (SUS) passa por uma rápida transformação digital com a adoção de inteligência artificial e serviços em nuvem. Esse processo transfere o controle da infraestrutura de dados dos brasileiros para grandes empresas estrangeiras.
A pesquisadora Joyce Souza analisou o histórico dessas políticas e identificou uma subordinação do país às gigantes da tecnologia. Ela alerta que a privatização da saúde ocorre na base que sustenta os serviços digitais e não no atendimento médico direto.
Um exemplo prático dessa terceirização envolve a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). O Ministério da Saúde fechou uma parceria em 2020 para armazenar essa plataforma nos servidores da Amazon Web Services (AWS).
A gestão de dados do sistema público de saúde passou pelas seguintes etapas recentes
- Em 2020 o governo federal transferiu a hospedagem da RNDS para a AWS.
- O diretor responsável pela medida assumiu posteriormente um cargo de gerência na própria Amazon.
- Em 2023 o governo anunciou o projeto Serpro Multicloud para tentar contornar as críticas sobre soberania.
- Os dados continuam na infraestrutura da Amazon sob o gerenciamento e análise técnica da estatal Serpro.
Falta de diretrizes para inteligência artificial
O Ministério da Saúde ainda não publicou uma estratégia nacional para a implementação de inteligência artificial. O país segue as orientações da Organização Mundial da Saúde focadas em privacidade e na prevenção de vieses nos algoritmos.
O guia internacional ignora a dependência tecnológica de países em desenvolvimento. O Brasil incorpora ferramentas inteligentes na gestão e monitoramento de pacientes por meio de contratos com corporações privadas.
A adoção dessas tecnologias incentiva o uso de dispositivos vestíveis e promove o automonitoramento constante. A prática foca no indivíduo como responsável por suas condições médicas e fortalece projetos de saúde privada.

