Executivo destaca riscos da automação para o mercado de trabalho
O CEO da BlackRock, Larry Fink, aproveitou a abertura do Fórum Econômico Mundial para emitir um alerta sobre o impacto da inteligência artificial no emprego. A maior gestora de recursos do planeta aponta que a tecnologia pode eliminar postos de trabalho e excluir grande parte da população dos ganhos econômicos.
A principal preocupação é que a IA faça com os trabalhadores de escritório o mesmo que a globalização fez com os operários de fábricas no passado. Os lucros iniciais dessa mudança estão ficando concentrados nas mãos de quem possui os modelos, os dados e a infraestrutura necessária.
Fink questionou o destino da força de trabalho diante desse cenário. “A questão em aberto é: o que acontecerá com todos os outros se a IA fizer aos trabalhadores de escritório o que a globalização fez aos operários? Precisamos enfrentar isso diretamente hoje. Não se trata do futuro. O futuro é agora.”
Desigualdade e concentração de renda
O executivo descreveu o cenário atual como uma economia em forma de K, onde os mais ricos acumulam capital rapidamente enquanto os mais pobres enfrentam dificuldades. Dados do Federal Reserve indicam um abismo entre as classes sociais no mercado financeiro:
- Os 165 milhões de pessoas mais pobres detêm apenas cerca de 1% da riqueza do mercado de ações.
- O 1% das famílias mais ricas controla quase 50% de todo o capital corporativo.
- Um grupo de 34 ações de IA valorizou 50,8% no último ano.
- Os 50 americanos mais ricos viram seu patrimônio crescer em média US$ 10 bilhões.
Essa visão reforça as previsões de Geoffrey Hinton, ganhador do Prêmio Nobel e conhecido como o padrinho da IA. Ele já havia sinalizado que a explosão de riqueza gerada pela tecnologia aconteceria às custas dos funcionários que serão substituídos.
Hinton foi direto ao analisar a motivação das empresas. “O que realmente vai acontecer é que os ricos vão usar IA para substituir trabalhadores. Isso vai gerar desemprego em massa e um aumento enorme nos lucros. Vai deixar algumas pessoas muito mais ricas e a maioria mais pobre. A culpa não é da IA, mas sim do sistema capitalista.”
Mudanças na liderança e exemplos práticos
O mercado já apresenta casos concretos dessa tendência de substituição. A empresa de software empresarial Ignite Tech demitiu quase 80% de sua equipe no início de 2023.
Larry Fink assumiu a presidência interina do Fórum em agosto de 2025. A mudança ocorreu após o afastamento de Klaus Schwab, fundador da organização, devido a acusações sobre gastos questionáveis e má conduta.
O gestor encerrou sua participação cobrando uma evolução do modelo econômico. “Agora, com abstrações sobre os empregos do futuro, mas com um plano crível para ampla participação nesses ganhos, este será o teste. O capitalismo pode evoluir para transformar mais pessoas em protagonistas do crescimento, em vez de meros espectadores assistindo a ele acontecer.”

