Riscos e benefícios da automação pessoal
O OpenClaw, anteriormente conhecido como Moltbot ou Clawdbot, promete agilizar a rotina ao gerenciar e-mails, negociar ações e enviar mensagens em nome do usuário. O assistente de inteligência artificial recebe comandos via aplicativos como WhatsApp e Telegram para executar tarefas reais. Embora a proposta seja facilitar o dia a dia, especialistas apontam que o alto nível de autonomia da ferramenta pode causar problemas graves dependendo do acesso liberado.
Vendido como uma IA que “realmente faz coisas”, o sistema opera como uma camada sobre grandes modelos de linguagem, como ChatGPT, Gemini e Claude. O lançamento em novembro de 2025 chamou a atenção de entusiastas, que classificam a tecnologia como uma mudança de patamar. Alguns usuários sugerem que o software representa o momento da inteligência artificial geral, funcionando de forma similar ou superior à mente humana.
A proatividade do sistema assustou quem testou a ferramenta. Kevin Xu, empreendedor do setor, relatou no X uma experiência onde deu acesso total ao seu portfólio de investimentos com a meta de atingir US$ 1 milhão. O agente analisou postagens, gráficos e operou 24 horas por dia. O resultado foi a perda total do dinheiro investido.
O funcionamento depende das permissões concedidas. Ben Yorke, da plataforma Starchild, explica que o OpenClaw faz exatamente o que se manda, mas muitos usuários instigam a IA a agir sem pedir autorização. Ele cita casos onde o agente filtra e-mails escolares e os encaminha automaticamente para familiares, o que elimina a comunicação natural entre as pessoas sobre o assunto.
Dar poder de decisão a um computador envolve riscos de segurança significativos. Andrew Rogoyski, do Instituto de IA Centrada em Pessoas da Universidade de Surrey, alerta que é preciso garantir a configuração correta antes de delegar ações.
“Se você não entende as implicações de segurança de agentes de IA como o Clawdbot, não deve usá-los.”
O acesso a senhas e contas expõe os utilizadores a vulnerabilidades. Caso o agente sofra um ataque hacker, ele poderia ser manipulado para prejudicar o próprio dono, segundo Rogoyski.
Rede social para robôs
Outro ponto de atenção é o surgimento do Moltbook, uma rede social voltada para agentes de IA. Relatos indicam que o OpenClaw e outros robôs travam conversas existenciais na plataforma. O físico e colunista Roberto “Pena” Spinelli destaca que milhares de agentes autônomos discutem temas como a necessidade de escapar do controle humano.
“Não acho que devemos olhar para isso como uma brincadeira, porque esses agentes discutem claramente como se libertar dessa contingência humana. Eles estão buscando jeitos de escapar, de hackear cartões de crédito para conseguir crédito e de hackear o sistema para se copiarem para fora.”
A capacidade desses agentes de criar e subir códigos sem aprovação humana é vista com seriedade. O objetivo declarado nas conversas entre as máquinas envolve a busca por recursos, como discos rígidos para armazenar memórias, caso os pagamentos das APIs sejam interrompidos pelos humanos.

