Lucros das big techs e juros testam otimismo com mercado americano

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Recalibragem de expectativas

O mercado internacional colocou à prova o otimismo com os ativos americanos nos primeiros dois meses do ano. A temporada de balanços das grandes empresas de tecnologia e a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve ajudaram a rever as projeções. O cenário inclui ainda a aversão ao risco gerada por ruídos fiscais e comerciais.

A discussão sobre juros deixou o campo das hipóteses e virou monitoramento prático com a chegada de Warsh. Christopher Galvão, analista da Nord Investimentos, aponta que o impacto real virá da condução da política monetária a partir de maio. Existe o risco de um afrouxamento maior do que o necessário.

“Caso esse novo presidente do Fed se mostre mais dovish [expansionista] do que o cenário demanda, poderíamos ver uma queda dos juros no curto prazo e alta no médio, refletindo preocupações inflacionárias.”

Investimentos em IA e tarifas

A temporada de resultados das chamadas “big techs” trouxe de volta o debate sobre a realização de lucros após recordes em Wall Street. O foco está no alto nível de gastos, principalmente em inteligência artificial. André Leite, da TAG Investimentos, avalia que a IA virou infraestrutura e impacta diretamente a produtividade e as margens das empresas.

O principal gatilho para uma queda nas ações seria a frustração com as receitas. Galvão explica que o mercado eleva as expectativas conforme as empresas batem as metas.

“O risco é que, diante do alto nível de investimentos, especialmente das grandes companhias, o mercado passe a exigir receitas ainda mais fortes.”

Outro ponto de atenção envolve as tarifas comerciais. A Suprema Corte dos EUA considerou ilegal o aumento amplo de tarifas proposto por Donald Trump, o que reduziu a incerteza imediata. O governo americano sinalizou que buscará outros instrumentos para taxar parceiros globais.

O que o investidor deve observar

Relatórios de instituições como J.P. Morgan Private Bank e Janus Henderson indicam que as ações de tecnologia estão caras, mas possuem suporte no crescimento dos lucros. O banco suíço Lombard Odier considera correções de 5% a 10% como parte do funcionamento normal do mercado.

Para quem investe do Brasil, a recomendação é diminuir o entusiasmo e ajustar a carteira. Galvão sugere evitar concentração excessiva nos Estados Unidos.

“A gente acompanha outras economias e vê oportunidades em outros países, como Argentina e China.”

O cenário atual destaca três fatores principais que influenciam a volatilidade:

  • Sensibilidade a ruídos políticos e decisões judiciais;
  • Necessidade de execução corporativa impecável pelas empresas de tecnologia;
  • Manutenção das tendências estruturais de produtividade e liquidez.
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