Inteligência artificial avalia dor de bebês internados em UTI

3 Min Read
EAS Comunicação Digital | Tecnologia e Insights para o Mundo Moderno

Pesquisadores da Unifesp e da FEI criaram uma inteligência artificial que identifica o nível de dor de recém-nascidos internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). A tecnologia analisa imagens e a linguagem corporal das crianças para interpretar as expressões faciais com precisão.

O método tradicional de avaliação exige que os profissionais de saúde observem os sinais do bebê usando escalas médicas. A professora de pediatria neonatal da Unifesp e coordenadora da UTI Neonatal do Hospital São Paulo, Ruth Guinsburg, destaca o cenário enfrentado pelas equipes.

“Como a dor é um fenômeno subjetivo e o bebê ainda não consegue se comunicar verbalmente, ele depende essencialmente da observação de terceiros”

A percepção humana pode variar bastante entre os médicos e os familiares por causa do estado emocional de quem observa. A nova ferramenta chega para diminuir essa variação e oferecer um apoio mais seguro na hora de decidir o tratamento.

Como a ferramenta funciona na prática

  • Analisa imagens e expressões faciais em tempo real
  • Aproveita modelos prontos parecidos com o ChatGPT e o Gemini
  • Dispensa a necessidade de adaptar o sistema para cada bebê
  • Reduz a influência do estado emocional de quem avalia o paciente

Até os anos 1990, a medicina acreditava que os bebês não sentiam dor por causa do baixo desenvolvimento neurológico. A pesquisadora Ruth Guinsburg aponta a mudança de visão da ciência sobre o tema ao longo dos anos.

“Hoje se sabe o exato oposto: por serem imaturos neurologicamente, eles são ainda mais vulneráveis aos efeitos adversos dos estímulos dolorosos”

A falta de tratamento para a dor e o uso exagerado de remédios podem causar efeitos tóxicos no cérebro em formação da criança. O grande desafio médico é achar o equilíbrio para dar a medicação apenas enquanto a dor estiver presente.

O sistema supera as técnicas antigas e não precisa passar por adaptação para cada paciente novo. O professor da FEI, Carlos Eduardo Thomaz, detalha a base técnica do projeto.

“Com a chegada dos modelos de linguagem multimodais, como ChatGPT e Gemini, por exemplo, tornou-se possível utilizar modelos pré-treinados em uma imensidão de dados da internet para resolver tarefas médicas específicas com maior rapidez”

O projeto financiado pela Fapesp continua em desenvolvimento para buscar uma precisão ainda maior nos diagnósticos. Qualquer pequena melhora na tecnologia já garante um impacto direto no bem-estar dos recém-nascidos durante a internação.

Follow:
Jornalista, Redator, Editor e Social Mídia. Com experiência na administração de redes sociais, Designer Gráfico, elaboração e gerenciamento de sites CMS com especialização em WordPress e Web Service. SEO (Otimização de motores de busca). Mais de 10 anos de experiência com integração em Comunicação e Marketing