Principais destinos e setores de atuação
O Ministério das Relações Exteriores estima que quase 5 milhões de brasileiros residem atualmente fora do país. A maior concentração ocorre nos Estados Unidos, que abrigam 45% desse contingente, seguidos pela Europa com 34% e América do Sul com 13%.
Muitos desses emigrantes encontram no empreendedorismo uma forma de inserção econômica e social no novo país. Os ramos de culinária, estética e construção aparecem como as escolhas mais frequentes para a abertura de negócios.
O mercado de atuação se divide entre o atendimento à própria comunidade brasileira, conhecido como nicho étnico, e a venda para consumidores locais. Produtos como açaí e pão de queijo, além de serviços como depilação e alisamento, ganham destaque internacional.
Desafios e estratégias de adaptação
Uma pesquisa conduzida pela Unigranrio e pela Universidade Federal Fluminense (UFF) analisou o perfil desses empreendedores ao longo de uma década. O estudo aponta que o sucesso depende diretamente da integração cultural e do domínio das regras do país escolhido.
O pesquisador Roberto Falcão detalha os requisitos fundamentais para quem deseja abrir uma empresa fora do Brasil.
“O primeiro passo para não fracassar é entender a legislação, as regras locais, a regulamentação, conhecer o público, os hábitos do consumidor local e, sobretudo, falar bem a língua para o atendimento. Se você tem uma loja, um negócio, e não falar bem o idioma local, será um entrave para empreender.”
O perfil do brasileiro no exterior é marcado pela facilidade de comunicação e habilidade com o marketing digital. A versatilidade para realizar múltiplas tarefas e a cordialidade no atendimento são apontadas como diferenciais competitivos.
O levantamento também identificou pontos de atenção no comportamento dos empresários. Falcão menciona a existência de competividade desleal em alguns casos.
“Talvez nós tenhamos características negativas também. Emergiu na nossa pesquisa algo relacionado à sabotagem entre negócios, um jogando areia no negócio do outro ou criando denúncias falsas.”
Burocracia e cenário na França
A regularização dos negócios enfrenta barreiras burocráticas significativas, especialmente na Europa. Na França, onde residem entre 120 e 130 mil brasileiros, a transição do visto de trabalho para o de empreendedor exige comprovação de viabilidade econômica.
O brasileiro Rodrigo Pinho de Aragão descreve o impasse enfrentado para formalizar uma consultoria no país europeu.
“É um pouco a situação do ovo ou da galinha: você precisa justificar investimento em uma empresa que não existe e, para a empresa existir, você precisa do visto.”
Uma particularidade da comunidade brasileira na França é a predominância feminina, já que as mulheres representam 75% dos residentes. Patrícia Cordeiro, que vive na Europa há 22 anos, investe no setor de moda e relata uma experiência positiva.
“Muito sinceramente, as portas têm se aberto e tudo tem fluído naturalmente, sem grande procura, sem forçar. Estou no lugar certo, no momento certo e com as pessoas certas.”

