Estudo analisa riscos de segurança na criptografia
Preocupações sobre a capacidade de computadores quânticos quebrarem a segurança do Bitcoin voltaram a circular, mas um novo relatório traz dados tranquilizadores para investidores. A análise da CoinShares mostra que o risco é um desafio de engenharia de longo prazo e a rede terá tempo suficiente para se adaptar antes que máquinas superpotentes consigam atacar a criptografia da moeda.
A exposição real da criptomoeda a esse tipo de ameaça é mínima no momento. Cerca de 1,6 milhão de unidades estão em endereços antigos do tipo Pay-to-Public-Key (P2PK), onde as chaves públicas ficam visíveis, mas a chance de ataque efetivo é ainda menor. O estudo calcula que apenas 10.200 BTC poderiam ser alvo de hackers quânticos de forma plausível.
Isso representa uma fatia muito pequena do mercado. O volume em risco equivale a menos de 0,1% do fornecimento total de Bitcoin em circulação.
Tecnologia necessária ainda não existe
O Bitcoin utiliza criptografia de curva elíptica para proteger as transações. Em teoria, um computador quântico poderia usar algoritmos específicos para descobrir senhas e autorizar gastos indevidos. No entanto, Christopher Bendiksen, líder de pesquisas da CoinShares, explica que isso exigiria máquinas com milhões de qubits estáveis, algo inalcançável com a tecnologia atual.
O relatório detalha a distância tecnológica para um ataque real. “Quebrar o secp256k1 em tempo prático (<1 ano) exige de 10 a 100 mil vezes o número atual de qubits lógicos; tecnologia quântica relevante está, no mínimo, a 10 anos de distância.”
A segurança da maior parte da rede se deve aos tipos de endereços mais modernos. Modelos atuais, como P2PKH e P2SH, só revelam a chave pública quando as moedas são movimentadas, o que diminui drasticamente a superfície de ataque.
Bendiksen reforça a dificuldade técnica para desbloquear as moedas restantes. “Os demais ~1,6 milhão estão distribuídos em 32.607 UTXOs individuais de cerca de 50 BTC cada, que levariam milênios para serem desbloqueados mesmo nos cenários mais otimistas de avanço da computação quântica.”
Riscos de atualizações precipitadas
Especialistas alertam que tentar blindar o Bitcoin agora contra uma ameaça futura pode ser perigoso. Alterações precoces no protocolo podem introduzir novas falhas, enfraquecer a descentralização ou depender de métodos que ainda não foram testados o suficiente.
Para a CoinShares, a prioridade deve ser a estabilidade da rede. “O maior desafio é preservar a imutabilidade e neutralidade do Bitcoin, que poderiam ser comprometidas por mudanças prematuras no protocolo.”
Essa visão é compartilhada por outros nomes do setor, como Jameson Lopp e Charles Hoskinson, que defendem que o risco não é imediato.
Mercado e investidores atentos
Apesar da análise técnica indicar segurança, parte do mercado financeiro começa a observar o cenário com cautela. Alguns estrategistas reduziram alocações em Bitcoin em portfólios de investimento, redirecionando recursos para ouro e ações de mineração devido ao receio de avanços futuros na computação quântica.
Projetos de blockchain como Ethereum, Optimism e a corretora Coinbase já divulgam esforços para se preparar para um cenário pós-quântico. Charles Edwards, da Capriole Investments, sugere que a pressão do mercado pode ser necessária para acelerar discussões técnicas sobre segurança.
O analista aponta que o tema deve ganhar tração nos próximos anos. “US$ 50 mil não está tão distante agora. Eu falei, no ano passado, que o preço precisaria cair ainda mais para gerar a atenção adequada ao tema da segurança quântica no Bitcoin. Esse é o primeiro progresso promissor que vemos até agora.”

