Foco em tecnologia e defesa na agenda internacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja nesta terça-feira para a Índia e Coreia do Sul com o objetivo de fechar parcerias em setores estratégicos. A agenda prioriza discussões sobre governança de Inteligência Artificial (IA), exploração de minerais raros e venda de aeronaves brasileiras.
A etapa mais importante ocorre em Nova Délhi, onde o presidente participa de uma cúpula sobre IA organizada pelo governo indiano. O evento conta com a presença de executivos de grandes empresas de tecnologia, como Google, Nvidia e OpenAI.
O Brasil vai levar ao debate preocupações sobre como os algoritmos funcionam e os riscos de discriminação digital. O foco principal é combater a manipulação de informações em eleições, especialmente através de deep fakes, que são vídeos ou áudios falsos criados por computador.
O encontro deve resultar em uma carta de intenções com as seguintes propostas:
- Criação de uma rede internacional de IA para instituições científicas;
- Lançamento de um guia para infraestrutura de tecnologia resiliente;
- Declaração para a difusão democrática da inteligência artificial.
Disputa bilionária na aviação
A indústria aeronáutica é outro destaque da viagem. A Força Aérea da Índia vai abrir uma concorrência para comprar até 80 aviões de transporte médio. O modelo brasileiro KC-390, da Embraer, é um dos candidatos nessa disputa que envolve bilhões de dólares.
Para aumentar as chances de vitória, a Embraer se associou à empresa indiana Mahindra. O governo brasileiro sinalizou que a fabricante pode abrir uma linha de produção local na Índia para atender à demanda do país asiático.
Minerais para eletrônicos
Os dois países também vão assinar um memorando sobre minerais críticos e terras raras. Esses materiais são fundamentais para a fabricação de componentes eletrônicos, baterias e equipamentos de defesa.
O Brasil detém a segunda maior reserva conhecida desses minerais e busca parceiros para realizar a extração e o processamento em território nacional. A Índia, por sua vez, lançou um plano com financiamento estatal de US$ 2 bilhões para garantir o fornecimento desses recursos.
Medicamentos e parcerias na Coreia
Ainda na Índia, pode ser assinado um acordo para facilitar a entrada de remédios indianos no Brasil. A proposta é criar um processo de aprovação mais rápido na Anvisa para medicamentos que já tenham liberação nos Estados Unidos ou na União Europeia.
Na sequência da viagem, Lula vai à Coreia do Sul para se reunir com o presidente Lee Jae-myung. A comitiva brasileira busca atrair investimentos em ciência, tecnologia e no setor de economia criativa, além de tentar ampliar o mercado para produtos brasileiros.

